De Bom Jesus a Milagres

maio 7, 2012

Vocês sabem o que é uma câmera de grande formato Sinar? Imaginem um Iphone. Agora enfilerem 10 ou 15 Iphones lado a lado e façam mais uma coluna em cima.  Isso é um pedaço de uma sinar 4×5. Junte a isso o fole, a lente, o tripé, o back e temos um equipamento quase tão pesado quanto o meu filho de 3 anos – que aparece nas fotos (só a minha coluna sabe como está difícil carregar o bichinho). E foi com esse brinquedo que Claudio Edinger percorreu o sertão da Bahia, na região que vai de Bom Jesus da Lapa até a cidade de Milagresa, ao longo de sete anos, fotografando para o seu projeto recém lançado “De Bom Jesus a Milagres” – exposição (no MIS – SP) e livro de mesmo nome.  Com esse trabalho, inclusive, ele levou o Prêmio Porto Seguro de Fotografia em 2010.

Cromo de uma das imagens expostas. Foto – Claudio Edinger.

É possível se imaginar a dificuldade de se fotografar nessa região com esse equipamento, embaixo de sol escaldante, poeira, etc, mas é assim que ele trabalha. Esta é uma câmera que há não muito tempo atrás, era a preferência dos fotógrafos publicitários, assim como hoje ocorre com as câmeras de médio formato com back digital, como o Phase One. A maioria das agências de publicidade e clientes exigiam cromos com resolução capaz de reproduzir todas as nuances das imagens para gigantografias – como os “extintos” outdores (na cidade de São Paulo) . Daí a preferência pelas câmeras de médio e grande formato para essa finalidade. Muitas vezes era desnecessário, mas… nesse caso o mercado manda. E nas próprias palavras do Claudio “A 4×5 amplia até onde a vista alcança”.

Quebrando paradigmas e para a nossa felicidade, Claudio continua fotografando com sua Sinar, não comercialmente, mas por puro prazer e seguindo uma linguagem que há muitos anos adotou – e cá entre nós, quem não gostaria de fazer o mesmo?

“De Bom Jesus a Milagres” é de uma riqueza ímpar. Cada uma das 30 fotografias expostas possui alma própria e não pode ser “lida” em pouco tempo. Tudo merece muita atenção: cores, nitidez, transições,  composição, a expressão facial e corporal dos retratados e principalmente a escolha do local do desfoque na hora do clique. Em muitas situações o rosto do fotografado não é o principal elemento da imagem e ele próprio está em desfoque. Por que? Aí cada um pode contar sua história.

Como eu já disse ao divulgar a exposição no facebook, isso que é fotografia… nua e crua, ao vivo e a cores. Todo fotógrafo que se preze precisa ver de perto e absorver toda essa vasta quantidade de informação visual, pois não é possível descrever em palavras o que essas imagens traduzem, elas precisam ser vistas uma, duas, três vezes e digeridas com o tempo. Os grandes prints da exposição, aliás, são de extrema competência. Quando eu souber o autor farei um upgrade no post.

Eu faria uma única crítica, ao  MIS. A iluminação da sala é inadequada não só para esta como para qualquer exposição. Além disso, seguranças confusos e desinformados e um balcão de recepção cisudo, foram os problemas que eu encontrei no sábado. Não condiz com o local e nem com as lindas obras que lá estão expostas.

Juntamente com a exposição, que irá ficar até 24/06/2012 no MIS, ocorreu o lançamento do livro de 176 páginas, impresso no tamanho 29cm x 37cm. Este é o 15˚ livro dele. Vamos torcer para que venham muitos mais.

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Fotografia de Moda no MUBE.

outubro 25, 2010

Não percam a exposição “Flávio de Carvalho desveste a Moda Brasileira da Cabeça aos Pés”. Ampliações bem feitas, montagem criativa, boa iluminação e excelentes imagens. Na minha modesta opinião, pecou por não selecionar uma variedade maior de fotógrafos. Explico. O acervo de fotos é grande, cerca de 200 imagens, de fotógrafos brasileiros. Mas dessas duzentas, uma dezena, por exemplo, são do Bob Wolferson, ou do Eduardo Rezende e muitas, inclusive  são da mesma série. São fotógrafos maravilhosos e o material idem, mas acabei sentindo falta de outros autores, como o Miro, por exemplo. Justo ele (“o” fotógrafo de moda).

Me causou uma certa estranheza achar duas fotos do Cristiano Mascaro, perdidas ali no meio. Hummm… não é moda, são retratos (maravilhosos). Ah, ok vai. É o Mascaro!

Uma última crítica. Apesar da necessidade da moda ser sempre atual, no caso a visão é artística, que é atemporal. Flávio de Carvalho, que dá nome à exposição, era um artista brasileiro, que viveu  de 1899  a 1973. Quase todas (ou todas) as imagens são contemporâneas, clicadas na última década.  Senti falta de imagens mais antigas, principalmente da década de 70 (quando ele ainda vivia), que, diz-se, foi o grande ápice da moda no mundo.

De qualquer forma, gostei muito e recomendo – vai até 14/11/2010. Além do mais, o MUBE é um lugar muito legal e inclusive pode-se aproveitar para dar uma chegada no MIS, que é ao lado, além de passear por outras exposições, como a da artista escultora Nathalie Decoster.

MUBE – Museu Brasileiro da Escultura
Av. Europa, 218 – São Paulo – Brasil
De terça a domingo das 10:00 as 19:00 hrs
11 2594-2601 – mube@mube.art.br

Na foto do alto da página, Natalia Vodianova por Nick Knight, que infelizmente é inglês e portanto não está na exposição. Mas… como todo gênio, é refência mundial e assim, um pouco dele pode ser visto em algumas das fotos expostas. 😉

 

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