Vídeo em DSLR – Evolução.

outubro 4, 2010

É fato. O vídeo em High Definition já é uma realidade latente. Não se fala em outra coisa. Há uma revolução ocorrendo no mercado. Se tudo isso já não é mais novidade para os “prós” realmente atualizados, em pouco tempo também não será para os menos experientes.

As DSRL com recurso de filmagem chegaram com tudo. Se a Nikon lançou a primeira, a Canon veio na sequência com duas das principais vedetes de 9 entre 10 produtoras de vídeo atuais, as Canon EOS 5D Mark II e 7D. Filmes publicitários, eventos sociais, eventos esportivos, documentários autorais, temos visto de tudo. Coisas excelentes e coisas péssimas.

O motivo é um só. Qualidade de imagem. Resolução Full HD, muitas, muitas lentes, sensor 35mm (full frame), fazem uma combinação arrasadora. A qualidade que se obtém é tanta que chega a ser comparada (injustamente) à de uma filmadora RED, usada na indústria cinematográfica (o filme Chico Xavier, por exemplo), que custa a partir de U$ 25.000 (e mais o dobro disso em equipamentos para se poder filmar).

Porém, além de todo conhecimento técnico, são necessários uma gama de acessórios que suprem a principal deficiência das reflex a ergonometria. Shoulder, steadicam, follow focus, monitor, tripé, microfone… Nada disso é dispensável em uma boa produção, ainda que simples. E se alugar é caro, comprar, mais ainda.

Dessa forma, o caminho foi sendo trilhado e agora temos anúncios de filmadoras que chegarão no mercado, provavelmente no próximo ano, já apelidadas de “DSLR killers”. São câmeras com sensor 4/3, bem menores do que os sensores 35mm, mas maiores do que os atuais usados nas filmadoras profissionais mais acessíveis (v. o gráfico de sensores ao lado.

Terão baionetas de encaixe para lentes intercambiáveis (provavelmente as utilizadas nas marcas) e todos os recursos que um operador de vídeo precisa.

A meu ver, ainda não chegarão a substituir o filão que as DSLR abraçaram, mas certamente elas irão inaugurar uma nova etapa para as produções em vídeo. Provavelmente não produzirão a mesma qualidade de imagem que temos com uma 5D Mark II, mas será pouca diferença, e, afinal, serão FILMADORAS e não câmeras fotográficas. Que venham os testes!

As novas câmeras em questão foram anunciadas pela Panasonic, que já a batizou de AG-AF100 e a da Sony, anunciada ainda sem nome.

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Quanto Custa Trabalhar?

agosto 5, 2010

“Está caro!” Essa é a resposta que sempre se ouve, por mais que se cobre pouco por um trabalho fotográfico. Não está caro não! Está barato.

Antes de responder “está caro” (no caso do cliente), ou de se cobrar pouco, deve-se ter muitos elementos em conta. Um fotógrafo deve pensar como empresa, quando pensar em valores, não como “Mr. Fabulous Photographer”.

Leve em consideração:

– Uma empresa tem 1.000 gastos (fixos ou não) para se manter. Boa parte disso deve refletir de alguma forma no custo de um trabalho. Água, luz, telefone, estacionamento, condomínio, impostos, contador, patrimônio físico, funcionários, prestadores de serviço, veículos, marketing, publicidade, insumos, cursos. Citei 15 coisas,  faltam 985.

– Pensando em um job qualquer, temos: seguro de equipamento, gastos com equipamento nos dias das fotos – o que não é pouco a contabilizar: desgaste do equipamento, pilhas, lâmpadas, fitas, filmes (para quem ainda usa), manutenção – caso quebre qualquer coisa, um fio que arrebenta porque alguém pisou em cima, algo que se perde, o seu monitor que vai perdendo a cor pelo uso e dali dois anos  tem de ser trocado… Trabalhamos com coisas muito caras, não há como não se pensar nisso tudo.

– Fora os gastos com equipamentos em si, há os custos *do trabalho*, que não envolvem só os dias do trabalho, envolvem também o antes e o depois. Gastos com gasolina para ir em reuniões, buscar, levar coisas, fazer e entregar trabalho, reentregar trabalho, telefone e celular que são usados para falar com o cliente, alimentação, assistente e outros profissionais envolvidos no job, locações de equipamentos, locação de estúdio se o caso), mídias (CD, DVD, caixinhas), impressão – tinta e papel, armazenamento – espaço no HD que será perdido para guardar todos os arquivos (e HD não custa barato), etc.

– Considerando cada trabalho, do valor que se pede, haverá involuntariamente desconto de impostos. Se a empresa do fotógrafo já estiver aberta, será recolhido pelo SIMPLES. Senão, o valor do imposto poderá ser retido pelo cliente, ao se emitir um recibo de autônomo.

– Há os custos com site – criação, alimentação, manutenção, domínio, servidores, webdesigner (que às vezes cuida não só do site, mas do blog, social media, banco de dados…). O cliente lucra com isso tudo também, a cada vez que você divulga o produto dele no seu portfolio (ainda que o produto seja ele mesmo – modelos).

– E para quem não pensa corretamente na hora de cobrar, há o tempo no qual se trabalha para tal cliente, que está pagando “y”, que poderia estar sendo usado talvez para um outro cliente que te pagaria “3y”. Ou ainda, esse tempo poderia estar sendo usado para outras coisas que a curto, médio e longo prazo se revertem em uma empresa mais sólida, com mais giro e nome no mercado, como marketing, captação de novos trabalhos… Yes! Time is money!

Então, pense bem na hora de cobrar. Sai muito caro cobrar pouco e mais ainda cobrar nada.

Tome nota: aqui fala um PRO que já entrou em roubadas desse tipo. Sim, eu já errei e a maioria de  todos os pros consagrados de hoje também, mas acredite, ninguém precisa disso, nem mesmo o iniciante. Esse só precisa de preparo, e, só quando estiver preparado, comece a trabalhar como qualquer outro experiente e cobre o valor *justo*.

E se errar uma vez, duas, até três, não tem problema. Mais do que isso, vira doença crônica. Um bicho que cresce, rói o bolso da calça e estando furado vai ficar seeempre vazio.

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D. Pedro II e o IPhone

maio 6, 2010

A fotografia acima, feita por Otto Hees em 1889. Sobre o processo de captura da imagem não encontrei informações, mas pela época, provavelmente tenha sido: ou através de placas secas de gelatina, ou  chapas secas de gelatina (o filme de rolo com 24 chapas,  criado pelo Sr. George Eastman em 1888 – que fundaria a Eastman Dry Plate Company – posteriormente “abreviada” para KODAK).

É uma linda imagem! E manteve as suas características de tonalidades e definição, com os descontos de ter 121 anos de idade, além de, o que estamos vendo, ser um JPEG de baixa qualidade da imagem original, que sabe-se lá quantas vezes foi manipulada (e de como foi obtida esta cópia). Se D. Pedro II não entendesse nada de fotografia e tivesse um IPhone a história (literalmente) seria diferente e mais ou menos assim.

O Imperador convoca a todos para a fotografia. Pede a um dos empregados, um ex-escravo por ele liberto 10 anos antes da abolição, muito inteligente, de nome  Sebastião para tirar a foto. Diria assim: “Tião, basta apontar e apertar ali!”. Primeiro , o gajo iria tirar uma foto com um pedaço do dedo na frente. Ah, mas é foto digital, vemos na hora o que sai. Daí ele tenta de novo e faz outra foto.

TIÃO: “Ô Sinhô  Pedro, acho que vossuncê saiu com os zóios fechados”.

D. PEDRO II mostrando o sistema do IPhone: “Não tem problema Tião. Essa nova tecnologia é magnífica. Mexemos aqui, viramos pra lá, abre foto, fecha foto. O aparelho é incrível. Está vendo? Agora vá lá e faça a boa.”

Tião se prepara e Plim!!! Lá estaria o último Imperador do Brasil imortalizado com sua família em um belíssimo IPhone 3GS, recém comprado no Shopping.

Após o almoço, D. Pedro sobe ao seu escritório, descarrega  foto no Macbook, dá um tapinha no Photoshop e pensa: “Ah… Que maravilha. Como é boa a tecnologia! Pronto. A foto está nos trinques para eu colocar no Facebook, no Myspace, no Flickr e mandar pra todos os meus amigos pessoais e da network.”

Mais tarde, vem a Imperatriz e lhe diz: “Meu senhor, será que não é  melhor imprimirmos essa fotografia e colocar no nosso álbum?  É um momento tão especial…”. Responde ele: “Ótima idéia!!! Vamos dar uma passada naquela livraria grande que vende de tudo e imprime fotos, pois acabaram de lançar um livro novo sobre a República. Compramos o livro e voltamos com a foto.” E assim, lá vão eles!

Feito isso, pegando a foto nas mãos, vem aquela surpresa.

D. PEDRO II, irritado: “Aaahhh… Mas tinha ficado tão boa no IPhone! Agora está meio estranha, cheia de pontinhos, riscos, meio fora de foco, o menino D. Antonio todo borrado… Isso é um absurdo!!! RAPAZ!!! Por favor refaça a impressão dessa imagem histórica novamente, pois está muito ruim!”

RAPAZ da livraria grande que vende de tudo e imprime fotos: “Mas Sr. Imperador… O seu IPhone estava configurado para a resolução mínima pra economizar espaço na memória, por isso a foto está toda cheia de pontinhos. Além disso, o menino D. Antonio está borrado, porque se mexeu na hora e a iluminação não estava muito boa. Os riscos foram provocados pelo próprio sensor, que forçou um ganho maior para conseguir capturar a imagem, também por falta de luz. Além disso, o foco automático preferiu escolher o fundo ao invés das pessoas. E, mesmo que tivesse escolhido as pessoas, a qualidade de imagem dessa câmera não é das melhores. É que a lente e o sensor são muito pequenos, e, afinal, isso é um telefone e não uma câmera!”.

A IMPERATRIZ, um tanto constrangida: “Meu Senhor, o rapaz tem razão. Assisti a algumas aulas de fotografia no Youtube e tudo o que ele falou faz sentido. Vamos para casa,  chame o Paoli, como tanto lhe pedi durante a semana, e façamos a fotografia novamente! Ele saberá o que fazer e teremos uma imagem para sempre!”

D PEDRO II: “Impossível! O Conde D’Eu foi para a China, buscar novos negócios! Princesa Isabel está trabalhando muito no sindicato dos ex-escravos. Tenho uma agenda cheíssima para o resto do mês, pois  pesquisei no Google e li que a República chegará neste ano mesmo, em 15 de novembro. E além disso, o Paoli está na França, fazendo fotos para  os irmãos Lumiére, que estão prestes a lançar no mercado o cinematógrafo… Deixe pra lá. Tá ruim, mas tá bão. Só precisamos mesmo de um registro, desse momento memorável.”

Um ano mais tarde, já exilado em Portugal, o imperador deposto mostra o álbum a um conviva da família, que sem querer derruba uma gota de chá bem nessa imagem. A foto, que já não estava com as cores muito boas, fica inteira borrada e o papel forma uma bolha bem no rosto do Ex-Imperador. Ele se lembra das palavras da Imperatriz, falecida em 28/12/1889 e diz ao amigo: “Veja Joaquim, minha senhora havia me pedido e eu, para economizar um pouquinho, não chamei o Paoli para registrar esse momento, crente que meu IPhone novo seria útil. A foto já estava ruim e a impressão, também baratinha,  não foi das melhores. O papel era ruim e a tinta pior ainda. Agora, ela se foi, eu estou aqui exilado e nunca mais poderemos refazer essa foto para a posteridade”.

JOAQUIM: “Mas D. Pedro, não podes simplesmente mandaire imprimir a fotografia novamente? Pareces português, oh pá!”.

D. PEDRO II, meio corado: “Pois é Joaquim, o negócio é que meu Macbook foi roubado em Petrópolis 2 dias depois daquele dia, no porta-malas da carruagem, com todas as minhas fotos. E eu não tenho backup de nada.”

E assim a história estaria mudada para sempre. Infelizmente, a ficção que escrevi é a realidade e o prenúncio de muitas histórias de família.

D. Pedro II era um excelente fotógrafo, admirador da boa fotografia e de todas as artes. Há um livro maravilhoso chamado “De volta a luz. Fotografias nunca vistas do Imperador”, publicado em 2003 e infelizmente esgotado na editora. Diz a sinopse do livro:

“Por quase meio século, o imperador D.Pedro II colecionou uma grande quantidade de fotografias, registrando uma parte de seu olhar sobre o mundo. O acervo ficou guardado por décadas nos arquivos da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. Agora, as fotografias deram nova dimensão à documentação da Biblioteca Nacional a respeito das numerosas viagens de D. Pedro II à Europa e ao Oriente nas décadas de 1870 e 1880. ‘De volta à luz’ traz um conjunto de imagens que representam os mais importantes momentos da família imperial no Brasil, centrados nos retratos de D. Pedro II, D. Thereza Christina Maria, Princesa Isabel e Conde D’Eu, permitindo ao leitor descobrir um conjunto de fotografias de rara qualidade de algumas das mais famosas localidades do mundo, que poucos brasileiros puderam conhecer no século XIX, e que mantém seu fascínio para o público do século XXI.”

Só por essa sinopse, já sabemos que D Pedro II jamais faria uma barbeiragem dessas, mesmo que o Dr. Emmet Brown voltasse ao passado com Michael J. Fox em um De Lorean e lhe desse um IPhone de presente. Ele rapidamente certificaria que essas câmeras de celulares (e muitas compactas) só servem para aqueles momentos em que não se espera precisar de uma câmera: durante o trabalho, na hora do almoço, na faculdade, na padaria, etc… “E olhe lá! (diria ele) Fotógrafo que é fotógrafo anda sempre com uma BOA compacta, pra esses casos.”

Adoro minhas fotos de infância. A maioria foi feita com câmeras semi-profissionais da época. Meus tios também tinham boas câmeras, bons flashes e sabiam usar. Tenho uma Leica M3, que minha Tia me deu de presente, a qual muito foi usada nessas ocasiões de família. Meus irmãos têm books feitos por fotógrafos profissionais. Minha esposa tem fotos de quando criança, feitas por um fotógrafo profissional. As outras foram feitas pelo pai, que era um bom fotógrafo, em filmes PB, cromo e negativos muito bem revelados. Somos privilegiados.

Hoje, são poucos os que se propõem a chamar um fotógrafo profissional para registrar momentos históricos da família. Festas de aniversário e casamentos são ocasiões nas quais isso ocorre com mais frequência, mas fazer fotos de família, retratos, books, com fotógrafos profissionais, como se fazia antigamente, é um costume  que infelizmente vem desaparecendo.

Às vezes se tem o mais difícil. As pessoas naquele local, naquele momento, umas vindas de outra cidade, de outro país, todos com saúde e dispostos a serem fotografados. Falta apenas um nome com a categoria de se fazer um trabalho excepcional, ou seja, uma recordação que daqui uns 100 anos alguém vai estar admirando… Assim como eu felizmente posso, com as fotos de meus avós, a família de imigrantes italianos da minha mãe, etc.

D. Pedro II eternizou sua família, naquele momento, com sabedoria. E hoje, 121 anos depois, graças ao trabalho bem feito de Otto Hees e aos responsáveis pelo seu arquivamento, pudemos vê-la nesse post.

Já se sabia, desde aquela época, que uma boa fotografia só se consegue, antes de tudo, com um bom fotógrafo. Este é bom, pois  sabe  de tudo sobre como usar uma boa câmera. Mas o mundo de hoje tem esquecido as coisas boas e muitos filhos, netos, bisnetos, etc, terão documentos precários de sua história, se tiverem

Digo, “vossos” filhos – você, que se identificou com os personagens  atrapalhados desse post. Porque disso, com certeza os meus nunca poderão reclamar. E nem os dos meus clientes. 😉

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