Chegando aí: Blackmagic Cinema Camera

maio 2, 2012

O mercado de video/cinematografia está pedindo uma câmera realmente revolucionária, que supra as deficiências das DSLRs mas que ao mesmo tempo possibilie a mesma linguagem de imagem. A Canon poderia ter inovado novamente se quisesse, assim como quando lançou a revolucionária 5D Mark II, mas ao invés disso lançou a 5D Mark III sem grandes surpresas e sem a atenção que o mercado exigia. A Canon falhou! Manteve o raio do codec H264 e não permitiu uma forma de capturar o vídeo sem compressão, não melhorou o sistema de foco (para video) e deixou todas as grandes novidades para a C300, uma câmera de cinema espetacular, mas que exige um investimento de ao menos 20.000$ (nos EUA) para ser funcional.

Enquanto isso, a Blackmagic Design, desenvolvedora de um dos principais softwares de colorização para cinematografia, o Da Vinci Resolve – o qual pertencia à Da Vinci Systems, adquirida pela Blackmagic em 2009 – e uma série de outros equipamentos geniais, anunciou a Blackmagic Cinema Camera. Será ela a câmera definitiva nessa categoria? Vejamos!

Dentre as principais vantagens da BMCC estão: resolução de 2,5k gravando em RAW (sem compressão), no espaço de cor 4:2:2 e em 12 bits – ou com compressão apple Proress 422 em 1080p. Além disso, possui  baioneta de encaixe para lentes EF, o que nos permite usar lentes Canon e Zeiss, entre outras, uma latitude de exposição de  13 stops – contra os sofríveis 11 da Canon 5D MKIII, armazenamento de dados em HDs solid state drive (SSD) e uma série de outras pequenas coisas bacanas, que não convém relacionar, pois no final do artigo irei colocar uns links legais.

A câmera será lançada em julho e irá custar MENOS do que uma 5D MK III – cerca de U$ 3.000 (nos EUA), com o para-sol para o LCD e DETALHE, com uma cópia do Da Vinci Resolve 9.0, que avulso custaria mais de $900,00. Porém, para poder operá-la é necessário comprar possuir um HD SSD, ao menos uma lente, um tripé e as alças “opcionais” para segurá-la (v. em desvantagens).

Acabei de entrar nesta página do principal endorser e “beta-tester” John Brawley e assistir a todos os testes que ele publicou: http://vimeopro.com/johnbrawleytests/blackmagic-cinema-camera

Pelo que vi, impressionou bastante a latitude de exposição que diz-se ser de 13 stops. Me deu a impressão de que ela se comporta melhor em situações com luzes muito baixas do que com altíssimas. O rolling shutter no primeiro vídeo (da moça passando máscara no olho) é muito evidente. De toda forma, estamos falando de uma câmera na faixa de preço de uma DSLR e que tem atribuições de uma verdadeira câmera de cinema.

Não obstante essas maravilhas, a meu ver, aqui vão algumas DESVANTAGENS:

– A primeira e importante que aponto, é o tamanho do sensor, que fica entre o Super 16mm e o Micro 4/3. A profundidade de campo aumenta, dificultando trabalhar com o foco seletivo – o que geralmente se busca ao filmar com DSLR (o que para o meu caso não é exatamente uma desvantagem) – E PRINCIPALMENTE o fator de CROP que irá causar nas lentes EF é algo próximo a 2,3x, o que significa que uma lente  50mm irá se comportar como uma  115mm. Uma 17mm, irá se comportar como uma 39mm. Péssimo… Além de mudar toda a percepção do fotógrafo com relação às lentes que já está acostumado (e que são o padrão para 35mm), é o fim das grande-angulares. Filmar em espaços apertados será tarefa quase impossível com essa câmera, a não ser usando-se lentes EF-S da Canon (ou similares), que vai diminuir bem esse prejuízo, já que são próprias para sensores APS-C, aproximando o fator final a 0,7x. Isso seria quase bom, se não fosse o fato de que EU NÃO COMPRO LENTES EF-S.

– A segunda desvantagem é o efeito “rolling shutter”, que são distorções causadas pela varredura linear do sensor CMOS, de forma não simultânea. Para explicar rápida e grosseiramente, no efeito “rolling shutter” as imagens captadas pelo sensor em cada quadro não são lidas instantaneamente e sim linha após linha (horizontal), ocorrendo um atraso na varredura da imagem completa. Isso significa que em uma panorâmica, elementos com linhas verticais, como um poste, por exemplo, irão aparecer distorcidos (inclinados) ou com pequenos soquinhos. Procure por exemplos de “rolling shutter” no vimeo.com ou mesmo no youtube, para entender melhor e visualmente, o que ocorre. Esse problema é comum em câmeras nessa faixa de preço e é algo normal. Ocorre também na própria 5D Mark III – que parece ter sido melhorada, comparando-se à Mark II.

– Bateria FIXA. Aqui uma “burrada” fenomenal. Bateria não removível? Como assim Senhor Blackmagic??? Ficou maluco? A bateria interna dura 90 minutos, depois disso – ou antes disso – é necessário usar uma fonte externa (ela possui conector 12V-30V DC e vem com um adaptador 12V AC), assim como a RED ou ALEXA. Ok… Mas essa não é uma RED ou uma ALEXA. É uma câmera que tem outra pretensão, ou seja, de ser pequena, simples, portátil, “barata”, comparada às demais. DEVE ter bateria removível. Imagine-se filmando com essa câmera em um local sem uma tomada energia elétrica próxima durante mais de 90 minutos e ficando sem bateria. Vamos carregar um gerador, ou bateria de carro só pra ligar a câmera? Para produções preparadas, OK, isso é possível, mas para aquele cinegrafista independente com poucos recursos, ou em um trabalho com pouca ou nenhuma assistência de outros profissionais… Fica difícil. A explicação do fabricante, a teor do que disse John Brawley (link no final da página), foi que “isso foi feito para não aumentar o preço da câmera, pois iria ser necessário um grande investimento para adaptar o chassi de alumínio”. A minha explicação é muito mais simples. Bull Shit!

– Design. Câmera bonitinha? Quadradinha? Fofinha? Cuti-cuti? Ô Senhor Blackmagic… Como é que se segura essa coisa? Ok ela tem duas alcinhas de metal na parte superior, para se colocar uma correia. Então vamos filmar com ela pendurada no pescoço? Hummm… Assim como eu, muita gente não tem os olhos na barriga. Logo, para o que é destinada, esta câmera DEVE ter um formato adequado e anatômico que permita ser manejada SEM o auxílio de quinquilharias. Por ser “pequena” é uma câmera que naturalmente o operador vai querer muitas vezes usar na mão. Não é sempre que se quer usar tripé na cena. Shoulders são pesados e incômodos. Steadicam é feito para fins especícicos… Assim, não interessa o que os engenheiros teriam que ter feito e nem o  que se precisaria sacrificar no “design”… E qual foi a solução? Ao invés de criar uma forma no próprio corpo, ou mesmo até simples alças de tiras LATERAIS (e não em cima), lançaram como OPCIONAL (sim, isso mesmo) um “chifre” de $200 que permite a câmera ser segurada na mão (foto acima). Essa coisa feia, meu querido, deveria vir de graça. Por outro lado, penso que mexer no foco segurando a câmera assim deve ser muito ruim ou mesmo impossível. Nesse quesito, portanto, ela é ainda PIOR do que uma DSLR, pois esta tem o grip. A BMCC prescinde, sem dúvida, de um shoulder ou algo do estilo para ser operada na mão com precisão. As próprias imagens dos vídeos-testes do John Brawley mostram bem isso.

Enfim… Essas desvantagens apontadas são defeitos sérios para muitos profissionais – inclusive eu mesmo. É possível que sejam corrigidas no(s) próximo(s) modelo dessa câmera, SE ela for bem aceita e não morrer. Mais uma vez, são decisões típicas de um fabricante ganancioso, mas que ao invés de viabilizar um equipamento completo de plano, resolveu guardar as modificações como “trunfos” para um próximo modelo e assim forçar os usuários a renovar o equipamento.

Com tudo isso, acredito que o saldo seja positivo, ainda que indiretamente. No mínimo, o lançamento dessa câmera vai forçar os fabricantes de DSLR a correr atrás das deficiências da nova geração ou lançarem modelos equivalentes de filmadoras a custo acessível. Mas esta é uma câmera que pode estar chegando para se tornar uma importante referência na cinematografia digital. Tanto para produções de ficção de baixo orçamento, como para documentários, séries, curtas e até mesmo um jornalismo muito bem feito, ela poderá ser de grande utilidade, mas muito do sucesso dela dependerá das melhorias nos próximos modelos.

Por enquanto, as suas limitações são muito prejudiciais para que ela seja primeira opção de compra, considerando-se as suas grandes concorrentes de peso, mesmo com todos os fantásticos atributos que citei no início. Mas vamos aguardar ansiosamente pelo lançamento em julho para comprovar tudo o que está sendo dito por aí, inclusive o que eu mesmo escrevi. A princípio, são tudo conjecturas baseadas apenas nas informações. Com a câmera na mão tudo pode mudar.

Aqui vão alguns links.

Do fabricante: http://www.blackmagic-design.com/products/blackmagiccinemacamera/

Um comparativo dos tamanhos de sensores: http://library.creativecow.net/articles/solorio_marco/NAB_2012-BMD-Cinema-Camera/assets/sensor_sizes.jpg

Da BH Photo: http://www.bhphotovideo.com/c/product/855879-REG/Blackmagic_Design_BMD_CINECAM26KEF_Cinema_Camera.html

O Blog do John Brawley: http://johnbrawley.wordpress.com/

Abraços.

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Concurso Volvo C30 de Arte Digital

julho 25, 2011

Um dia filmando por locais muito legais em São Paulo. Começando na sede da revista Zupi, passando pelo restaurante Chakras, a loja Scandinavia Design e finalizando com estilo no Terraço Italia. Com isso, fizemos a alegria da “Alê”, que ganhou o dia e também uma espetacular Cintiq. Para esse vídeo, fiz roteiro, direção de fotografia e operei uma das câmeras. Zupi TV aprontando das suas!

Um breve update… Esse vídeo teve mais de 1.200 acessos em pouco menos de duas semanas. Incrível! 🙂

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Iron Maiden Lifestyle

março 31, 2011

Slideshow criado no Flickr. Clique no botão do canto inferior direito para assistir em tela cheia, com boa resolução.

“Uma visão sobre os fãs que estiveram no show do Iron Maiden em 26/03/2011 – São Paulo. “Ser fã do Iron Maiden, não é apenas gostar de uma banda. É um estilo de vida” – ouvi de um dos malucos que lá estavam.

Escuto Iron há exatos 25 anos (comecei a ouvir com 11), tenho todos os CDs, alguns discos, algumas camisetas e sei boa parte de letras de cor. Isso me habilita para contar em poucas fotos essa história e ser, não tanto, mas um pouco maluco.

Para fazer essas fotos, usei apenas uma compacta Canon G9, sem tripé e zero de photoshop.”

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Procura-se um Fotógrafo

março 14, 2011

Demorei quase dez anos estudando, experimentando e me preparando, para ter coragem de dizer publicamente que sou fotógrafo. Surge um figura que trabalha com tudo, menos fotografia, compra sua primeira câmera “cânoum reflésquis que filma”, me pede algumas dicas. Alguns meses depois está lá o título “fulano de tal, blablabla videomaker e fotógrafo profissioná”. Fácil não? É só comprar uma câmera XPTO, uma lente XYZ e o futuro está garantido, “porque a gente vê no LCD a foto, e se ficou ruim faz de novo”.

Fotógrafo profissional, trabalha com fotografia profissionalmente, ou seja, faz dela seu sustento. Existem amadores, artistas ou pessoas que usam a câmera fotográfica muito mas MUITO melhor do que muitos profissionais e nem por isso se dizem fotógrafos. Basta acompanhar os concursos internacionais de fotografia e ver o resultado da categoria de amadores.

Mas encarar o mercado como profissional da fotografia, assim como encarar qualquer outro meio de ganhar a vida, exige qualificação técnica e muita experiência. Senão, necessariamente, duas partes serão prejudicadas: o cliente, obviamente, e o próprio “fotógrafo” que vai colocar seu nome na lata do lixo. Digo mais, hoje tudo o que se faz é eterno. Um erro feio facilmente vai parar na internet e acabou-se o anonimato (do pior jeito possível).

Fotografar bem é o MÍNIMO que um profissional deve fazer, pois não é uma imagem que se faz para si mesmo que está em jogo, é todo um trabalho para alguém que está pagando e que irá interferir na vida de muitas outras pessoas – o próprio cliente, assistentes, produtor, agência, etc…

Um exemplo simples, clássico e NADA incomum. O fotógrafo de casamento que perde os principais momentos do evento (troca de alianças, beijo, bouquet, benção, etc), esquece de configurar a câmera e fotografa tudo na resolução mais baixa da câmera, perde (ou esquece de colocar) o cartão de memória e não teve um assistente para fazer backup na hora. O casamento já foi, e agora? Para os noivos, saudades do evento que não verão mais. Para o fotógrafo, processo e maldição eterna pública. Um profissional competente e treinado dificilmente cometeria esses erros.

O que fazer? O óbvio. Estudar, estudar, estudar, praticar, praticar, praticar e só dizer que faz aquilo que realmente sabe fazer muito bem.

Muitos fotógrafos consagrados nunca trabalharam em estúdio e nunca gostaram sequer de usar flashes e não têm (ou tinham) vergonha nenhuma de dizer isso. Mas aquele que se propõe a fazer um ensaio de moda, *para o mercado de hoje*, deve saber tudo e mais um pouco sobre iluminação artificial. Assim como aquele que não entende absolutamente nada de cavalos, não deve se arriscar em fazer fotos de animais para criatório, um erro bobo, muito pequeno, estragaria a imagem de um cavalo de milhares de dólares.

Essa é minha dica, que é mesma de quase todos os bons fotógrafos do mercado: compre a câmera e as lentes que quiser, faça todos os cursos que puder, seja assistente, faça trabalhos para amigos sem cobrar e erre bastante nessa fase. Depois, se achar que está realmente preparado, se lance no mercado como fotógrafo.

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Produtora Lumin8 Brasil Online

março 7, 2011

MERCHANDISING! MERCHANDISING!!!! Saiu hoje, depois de noites em claro, muito café e cabeça quente, em meio ao trabalho pesado do dia a dia e claro “problemas” (quem não os tem), o site da Lumin8, minha produtora de vídeos e audio. Vale uma boa visita!!!

LUMIN8 PRODUTORA


Panorama Geral e Questões Legais sobre o Creative Commons no Brasil

setembro 12, 2008

Algumas semanas atrás, tive a oportunidade de participar do XXVIII Seminário Nacional da Propriedade Intelectual, o maior evento nacional sobre propriedade intelectual, realizado anualmente pela ABPI – Associação Brasileira da Propriedade Intelectual. Representantes de órgãos públicos, associações e empresas de toda a América Latina e dos EUA estiveram presentes para ouvir palestrantes de renome internacional, que trouxeram panoramas mundiais sobre as mais diversas áreas deste ínterim. 

Um dos assuntos abordados em uma das plenárias foi o Creative commons, recentemente debatido em algumas listas de fotografia nas quais participo. Alguns muito produtivos e esclarecedores, outros que apenas causaram conflitos desnecessários, pela má compreensão dos mecanismos legais atuais e desta nova forma de licenciamento, além de uma “mistureba” política totalmente irrelevante.

O seminário trouxe números importantes, demonstrando um crescimento expressivo de licenças CC no último ano.

Os dados trazidos por Ronaldo Lemos, professor de direito e responsável pela introdução do creative commons no Brasil – http://www.creativecommons.org.br/, apontam uma forte tendência mundial, não só na área da fotografia (que representa cerca de 10% deste universo), mas também na música, softwares e conteúdo informativo geral.

Para confirmar a grande adesão à “novidade”, é de se observar que atualmente existe um grande número de veículos digitais disponíveis, para distribuição de obras autorais compatíveis com creative commons:

Wikipedia (enciclopédia colaborativa), Jamembo e Trama Virtual (música colaborativa), Revver e Videolog (compartilhamento de vídeos), Flickr e 8p.com.br (fotografia), Plos.org e Scielo.org (publicações científicas), Gawker e Interney (portais de blogs), além do próprio Linux.

Além disso, há hoje, conforme foi apresentado no referido seminário, 90.000.000 de licenças CC no mundo. Na grande maioria EUA (o maior de todos), Espanha, Alemanha e França. A aplicação do CC caminha lado a lado com as “licenças legais” – previstas na legislação interna brasileira e demais países e em tratados internacionais. É importante salientar que creative commons não é Lei. Logo, para todos os efeitos, no Brasil, trata-se apenas de uma espécie de contrato, que pode ser questionado judicialmente, independente da cessão dos direitos, quando utilizado indevidamente, principalmente se estiver produzindo efeitos excessivamente desvantajosos ao autor.

Teoricamente, a idéia central do creative commons, conforme é apresentado, não cuida de subtrair do autor seus direitos sobre suas obras e sim de chamar este “ser criador” a colaborar com a coletividade participante do “movimento”, com algumas de suas criações, como forma de fazer parte desta nova tendência de troca e também de divulgar a si próprio e a seu trabalho, pois, argumentação pró-CC utilizada, “qual artista prefere a obscuridão do anonimato ou que suas criações não sejam apreciadas por ninguém?”. Condordo em partes, com a idéia. Mas tratarei mais profundamente meu posicionamento em um próximo post, para o qual pedirei a colaboração de alguns amigos de áreas diversas. Mas desde já, preciso colocar alguns pontos de destaque, já que a adesão ao CC, principalmente para o licenciador comum – indivíduo, pessoa física – pode lhe causar problemas sérios.

Em primeiro lugar, aviso aos navegantes – principalmente à geração “Ctrl C – Ctrl V”, que acredita piamente que “tudo o que está na internet é de uso livre”. Licença creative commons, não confere a alguém o direito de fazer absolutamente tudo o que quiser com a obra. Há limites impostos pelo autor, que são sempre muito claros, de fácil acesso e devem ser respeitados.

Canso de ver os “ladrões” serem processados por uso indevido (principalmente de imagens) e pagam muito mais caro do que pagariam se contratasse o serviço corretamente.

Alguns alegam a idéia da “cultura livre” – expressão que passei a não gostar – para O USO indevido de material colocado na internet, nos sites dos autores. Ou seja, que “a cultura geral e o direito do povo (usuários da net) de ter acesso a ela, devem prevalecer sobre os interesses particulares de um autor sobre a obra”. A expressão é errada, a interpretação mais ainda e quem pensa assim para “pegar” uma obra está completamente, redondamente, extremamente enganado. Veja bem, se está na net pode ser apenas ACESSADO. Só! Mais nada!

Não pode copiar, não pode distribuir, não pode colocar em livro didático, não pode publicar em revista científica, não pode ser usado por entidade filantrópica, não pode colocar em galeria de imagem de outro site, não pode ser colocado em folder, banner, panfleto, santinho de político, cardápio, santinho de igreja… Não pode absolutamente nada a não ser O ACESSO. Mas por que? Por que o capitalismo dominante egoísta blablablablablablablablabla? NÃO!!! Porque é o que diz a lei brasileira!!! Ponto final.

Não interessa a ideologia que se prega, não interessa o que disseram na faculdade, não interessa o que o patrão falou, não interessa o que o cliente pediu, não interessa discurso político nem que seja feito por Karl Marx e Mao Tse-tung reencarnados. Até que mudem a Constituição, a “Lei de Direitos Autorais” no Brasil e os Tratados Internacionais, será assim. Usou errado vai ter que indenizar.

A idéia do creative commons – idéia muito boa, por sinal – remete ao licenciamento à coletividade e não apenas a um determinado licenciado. Logo, NÃO SE CONFUNDE COM LICENÇA DE USO individual, tal qual está determinado na nossa lei (a que conhecemos e usamos). O CC NÃO ESTÁ REGULAMENTADO pela lei brasileira, entretanto vale o pacta sunt servant, isto é, o que foi acordado entre as partes (licenciante e licenciados) deverá ser honrado – a não ser que, como já foi dito, cause desvantagem indevida a alguma das partes (que no caso será sempre o autor).

Nos EUA, a Corte Suprema já reconheceu a validade jurídica da licença creative commons. Da mesma forma, o regime do copyright (que protege a cópia não autorizada de obras) também a reconhece. No Brasil, não há jurisprudência sobre o assunto, mas minha previsão é que em breve teremos um enxame de ações judiciais, pois não tenho dúvidas que os limites das licenças serão constantemente ignorados.

Quero deixar bem claro: apesar do meu posicionamento firme sobre a questão legal, não sou contra a licença creative commons e acho realmente uma ótima idéia, pois a sistemática de colaboração, compartilhamento, divulgação da cultura, tem tudo a ver com a internet. Não tenho dúvidas que será cada vez mais utilizada e aperfeiçoada em todo o mundo e trará mudanças inclusive na legislação moderna. A problemática é com relação ao uso irregular, as conseqüências negativas que trará aos autores e o reflexo que trará à filosofia e mentalidade dos usuários da internet, infelizmente cada vez menos conectados com a realidade.

Pauta para o próximo post sobre o assunto, “Os problemas práticos do creative commons no Brasil”. Aguardo colaborações de interessados, com questões práticas a serem levantadas sobre este tema. Não vou publicar comments, para evitar discussões no blog. O post é fechado.

Abraços, Paoli.