Fotografias Antigas de São Paulo – 4

maio 8, 2012

Quarta fotografia da série. V. post 1 para referência do assunto.

Este é o Largo da Sé, visto de onde hoje está a Catedral da Sé – a Catedral Metropolitana de São Paulo, que só começou a ser construída em 1913, ou seja, no ano seguinte ao que foi feita essa foto.

O dia estava movimentado! Carroças, bonde, muitas pessoas transitando… Uma coisa que me chama a atenção em fotos antigas é a elegância com que as pessoas se vestiam para andar nas ruas, seja para onde for – ao menos nos grandes centros. Homens sempre de costume, mulheres de vestido… O charme da época é incontestável.

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De Bom Jesus a Milagres

maio 7, 2012

Vocês sabem o que é uma câmera de grande formato Sinar? Imaginem um Iphone. Agora enfilerem 10 ou 15 Iphones lado a lado e façam mais uma coluna em cima.  Isso é um pedaço de uma sinar 4×5. Junte a isso o fole, a lente, o tripé, o back e temos um equipamento quase tão pesado quanto o meu filho de 3 anos – que aparece nas fotos (só a minha coluna sabe como está difícil carregar o bichinho). E foi com esse brinquedo que Claudio Edinger percorreu o sertão da Bahia, na região que vai de Bom Jesus da Lapa até a cidade de Milagresa, ao longo de sete anos, fotografando para o seu projeto recém lançado “De Bom Jesus a Milagres” – exposição (no MIS – SP) e livro de mesmo nome.  Com esse trabalho, inclusive, ele levou o Prêmio Porto Seguro de Fotografia em 2010.

Cromo de uma das imagens expostas. Foto – Claudio Edinger.

É possível se imaginar a dificuldade de se fotografar nessa região com esse equipamento, embaixo de sol escaldante, poeira, etc, mas é assim que ele trabalha. Esta é uma câmera que há não muito tempo atrás, era a preferência dos fotógrafos publicitários, assim como hoje ocorre com as câmeras de médio formato com back digital, como o Phase One. A maioria das agências de publicidade e clientes exigiam cromos com resolução capaz de reproduzir todas as nuances das imagens para gigantografias – como os “extintos” outdores (na cidade de São Paulo) . Daí a preferência pelas câmeras de médio e grande formato para essa finalidade. Muitas vezes era desnecessário, mas… nesse caso o mercado manda. E nas próprias palavras do Claudio “A 4×5 amplia até onde a vista alcança”.

Quebrando paradigmas e para a nossa felicidade, Claudio continua fotografando com sua Sinar, não comercialmente, mas por puro prazer e seguindo uma linguagem que há muitos anos adotou – e cá entre nós, quem não gostaria de fazer o mesmo?

“De Bom Jesus a Milagres” é de uma riqueza ímpar. Cada uma das 30 fotografias expostas possui alma própria e não pode ser “lida” em pouco tempo. Tudo merece muita atenção: cores, nitidez, transições,  composição, a expressão facial e corporal dos retratados e principalmente a escolha do local do desfoque na hora do clique. Em muitas situações o rosto do fotografado não é o principal elemento da imagem e ele próprio está em desfoque. Por que? Aí cada um pode contar sua história.

Como eu já disse ao divulgar a exposição no facebook, isso que é fotografia… nua e crua, ao vivo e a cores. Todo fotógrafo que se preze precisa ver de perto e absorver toda essa vasta quantidade de informação visual, pois não é possível descrever em palavras o que essas imagens traduzem, elas precisam ser vistas uma, duas, três vezes e digeridas com o tempo. Os grandes prints da exposição, aliás, são de extrema competência. Quando eu souber o autor farei um upgrade no post.

Eu faria uma única crítica, ao  MIS. A iluminação da sala é inadequada não só para esta como para qualquer exposição. Além disso, seguranças confusos e desinformados e um balcão de recepção cisudo, foram os problemas que eu encontrei no sábado. Não condiz com o local e nem com as lindas obras que lá estão expostas.

Juntamente com a exposição, que irá ficar até 24/06/2012 no MIS, ocorreu o lançamento do livro de 176 páginas, impresso no tamanho 29cm x 37cm. Este é o 15˚ livro dele. Vamos torcer para que venham muitos mais.

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Fotografias Antigas de São Paulo – 3

maio 6, 2012

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Terceira fotografia da série. V. post 1 para referência do assunto.

Outro conjunto histórico de grande importância, também na região da Luz, da qual tratei no post anterior.

É indiscutível a beleza da região na época. Limpo, sem carros, sem tumulto, postes, fios, semáforos… Para nós, que nunca vimos a cidade desse jeito, até parece uma pintura surreal.

Será que conseguiremos realmente revitalizar o centro histórico de São Paulo? Quem sabe se o próprio São Cristóvão der uma mãozinha…


Fotografias Antigas de São Paulo – 2

maio 5, 2012

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Segunda fotografia da série. V. post 1 para referência do assunto.

Esta é uma imagem feita também em 1902, da Estação da Luz. Hoje, um local onde se concentra importantes referências artísticas da cidade, entre elas a minha preferida – a Sala São Paulo, lar da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo – a OSESP. A região da Luz também abriga o Jardim da Luz, a Pinacoteca de São Paulo,  o Museu da Língua Portuguesa, o Museu do Imaginário do Povo Brasileiro (antigo DOPS), o Museu de Arte Sacra de São Paulo, entre outros locais.

O mais incrível dessa região é como ela pode ser tão contrastada. Ao mesmo tempo que abriga a beleza arquitetônica e uma variedade cultural incrível, a ponto de ser um dos mais importantes cartões postais da cidade, é exatamente ali que se encontra a famosa cracolândia. Reflexo de um poder público incrivelmente relapso, que há tantas décadas deixa de tomar posições sérias e efetivas de combate à criminalidade, auxílio a dependentes e inclusão social. Ninguém viu? Ah… A sede da ROTA e a Prefeitura de São Paulo também estão na região da Luz.

Fiquemos, contudo, com essa admirável imagem de Guilherme Gaensly. Graças a ele podemos ver não só o passado, mas também o futuro de esperança da Luz.


Fotografias Antigas de São Paulo – 1

maio 4, 2012

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Encontrei na casa da minha mãe uma coleção de fotografias publicadas na Folha de São Paulo no ano de 2008. Fiquei curioso para saber como e quando essas fotos haviam sido separadas, pois eu nunca as tinha visto e fui perguntar a meu pai. Ele me contou que ela havia guardado para mim, pois sabia que eu gostaria e provavelmente esqueceu de me avisar. Infelizmente a mãma não está mais comigo fisicamente desde o ano passado. Então vou apreciar cada uma dessas fotos de um jeito especial.

Trata-se de uma série de 12 fotografias feitas por Guilherme Gaensly entre 1902 a 1927, que publicarei aqui, uma por dia e em ordem cronológica (das próprias fotos), de hoje, até o dia 16 de maio – o dia do aniversário de nascimento da minha querida mamãe, de quem, aliás, absorvi todo o gosto para a arte, inclusive a música.

Guilherme Gaensly foi um fotógrafo nascido na Suíça e erradicado no Brasil desde os seus 5 anos de idade. Começou suas atividades como fotógrafo em Salvador e posteriormente veio para São Paulo, onde teve um estúdio de retratos e trabalhou como fotógrafo oficial da The São Paulo Railway, Light and Power Company Limited – a companhia que explorava a eletricidade na época. Inclusive eu sempre me lembro da minha mãe gritando “Chama a Light!!!” quando acabava a luz em casa – mesmo que a Light já não existisse em São Paulo há décadas, já que foi vendida à Eletropaulo em 1981.

Espero que gostem das fotografias!

A primeira imagem é de 1902 da nossa Avenida Paulista. Clique na imagem para vê-la ampliada.

Obrigado mãma!!!

Avenida Paulista - 1920


Chegando aí: Blackmagic Cinema Camera

maio 2, 2012

O mercado de video/cinematografia está pedindo uma câmera realmente revolucionária, que supra as deficiências das DSLRs mas que ao mesmo tempo possibilie a mesma linguagem de imagem. A Canon poderia ter inovado novamente se quisesse, assim como quando lançou a revolucionária 5D Mark II, mas ao invés disso lançou a 5D Mark III sem grandes surpresas e sem a atenção que o mercado exigia. A Canon falhou! Manteve o raio do codec H264 e não permitiu uma forma de capturar o vídeo sem compressão, não melhorou o sistema de foco (para video) e deixou todas as grandes novidades para a C300, uma câmera de cinema espetacular, mas que exige um investimento de ao menos 20.000$ (nos EUA) para ser funcional.

Enquanto isso, a Blackmagic Design, desenvolvedora de um dos principais softwares de colorização para cinematografia, o Da Vinci Resolve – o qual pertencia à Da Vinci Systems, adquirida pela Blackmagic em 2009 – e uma série de outros equipamentos geniais, anunciou a Blackmagic Cinema Camera. Será ela a câmera definitiva nessa categoria? Vejamos!

Dentre as principais vantagens da BMCC estão: resolução de 2,5k gravando em RAW (sem compressão), no espaço de cor 4:2:2 e em 12 bits – ou com compressão apple Proress 422 em 1080p. Além disso, possui  baioneta de encaixe para lentes EF, o que nos permite usar lentes Canon e Zeiss, entre outras, uma latitude de exposição de  13 stops – contra os sofríveis 11 da Canon 5D MKIII, armazenamento de dados em HDs solid state drive (SSD) e uma série de outras pequenas coisas bacanas, que não convém relacionar, pois no final do artigo irei colocar uns links legais.

A câmera será lançada em julho e irá custar MENOS do que uma 5D MK III – cerca de U$ 3.000 (nos EUA), com o para-sol para o LCD e DETALHE, com uma cópia do Da Vinci Resolve 9.0, que avulso custaria mais de $900,00. Porém, para poder operá-la é necessário comprar possuir um HD SSD, ao menos uma lente, um tripé e as alças “opcionais” para segurá-la (v. em desvantagens).

Acabei de entrar nesta página do principal endorser e “beta-tester” John Brawley e assistir a todos os testes que ele publicou: http://vimeopro.com/johnbrawleytests/blackmagic-cinema-camera

Pelo que vi, impressionou bastante a latitude de exposição que diz-se ser de 13 stops. Me deu a impressão de que ela se comporta melhor em situações com luzes muito baixas do que com altíssimas. O rolling shutter no primeiro vídeo (da moça passando máscara no olho) é muito evidente. De toda forma, estamos falando de uma câmera na faixa de preço de uma DSLR e que tem atribuições de uma verdadeira câmera de cinema.

Não obstante essas maravilhas, a meu ver, aqui vão algumas DESVANTAGENS:

– A primeira e importante que aponto, é o tamanho do sensor, que fica entre o Super 16mm e o Micro 4/3. A profundidade de campo aumenta, dificultando trabalhar com o foco seletivo – o que geralmente se busca ao filmar com DSLR (o que para o meu caso não é exatamente uma desvantagem) – E PRINCIPALMENTE o fator de CROP que irá causar nas lentes EF é algo próximo a 2,3x, o que significa que uma lente  50mm irá se comportar como uma  115mm. Uma 17mm, irá se comportar como uma 39mm. Péssimo… Além de mudar toda a percepção do fotógrafo com relação às lentes que já está acostumado (e que são o padrão para 35mm), é o fim das grande-angulares. Filmar em espaços apertados será tarefa quase impossível com essa câmera, a não ser usando-se lentes EF-S da Canon (ou similares), que vai diminuir bem esse prejuízo, já que são próprias para sensores APS-C, aproximando o fator final a 0,7x. Isso seria quase bom, se não fosse o fato de que EU NÃO COMPRO LENTES EF-S.

– A segunda desvantagem é o efeito “rolling shutter”, que são distorções causadas pela varredura linear do sensor CMOS, de forma não simultânea. Para explicar rápida e grosseiramente, no efeito “rolling shutter” as imagens captadas pelo sensor em cada quadro não são lidas instantaneamente e sim linha após linha (horizontal), ocorrendo um atraso na varredura da imagem completa. Isso significa que em uma panorâmica, elementos com linhas verticais, como um poste, por exemplo, irão aparecer distorcidos (inclinados) ou com pequenos soquinhos. Procure por exemplos de “rolling shutter” no vimeo.com ou mesmo no youtube, para entender melhor e visualmente, o que ocorre. Esse problema é comum em câmeras nessa faixa de preço e é algo normal. Ocorre também na própria 5D Mark III – que parece ter sido melhorada, comparando-se à Mark II.

– Bateria FIXA. Aqui uma “burrada” fenomenal. Bateria não removível? Como assim Senhor Blackmagic??? Ficou maluco? A bateria interna dura 90 minutos, depois disso – ou antes disso – é necessário usar uma fonte externa (ela possui conector 12V-30V DC e vem com um adaptador 12V AC), assim como a RED ou ALEXA. Ok… Mas essa não é uma RED ou uma ALEXA. É uma câmera que tem outra pretensão, ou seja, de ser pequena, simples, portátil, “barata”, comparada às demais. DEVE ter bateria removível. Imagine-se filmando com essa câmera em um local sem uma tomada energia elétrica próxima durante mais de 90 minutos e ficando sem bateria. Vamos carregar um gerador, ou bateria de carro só pra ligar a câmera? Para produções preparadas, OK, isso é possível, mas para aquele cinegrafista independente com poucos recursos, ou em um trabalho com pouca ou nenhuma assistência de outros profissionais… Fica difícil. A explicação do fabricante, a teor do que disse John Brawley (link no final da página), foi que “isso foi feito para não aumentar o preço da câmera, pois iria ser necessário um grande investimento para adaptar o chassi de alumínio”. A minha explicação é muito mais simples. Bull Shit!

– Design. Câmera bonitinha? Quadradinha? Fofinha? Cuti-cuti? Ô Senhor Blackmagic… Como é que se segura essa coisa? Ok ela tem duas alcinhas de metal na parte superior, para se colocar uma correia. Então vamos filmar com ela pendurada no pescoço? Hummm… Assim como eu, muita gente não tem os olhos na barriga. Logo, para o que é destinada, esta câmera DEVE ter um formato adequado e anatômico que permita ser manejada SEM o auxílio de quinquilharias. Por ser “pequena” é uma câmera que naturalmente o operador vai querer muitas vezes usar na mão. Não é sempre que se quer usar tripé na cena. Shoulders são pesados e incômodos. Steadicam é feito para fins especícicos… Assim, não interessa o que os engenheiros teriam que ter feito e nem o  que se precisaria sacrificar no “design”… E qual foi a solução? Ao invés de criar uma forma no próprio corpo, ou mesmo até simples alças de tiras LATERAIS (e não em cima), lançaram como OPCIONAL (sim, isso mesmo) um “chifre” de $200 que permite a câmera ser segurada na mão (foto acima). Essa coisa feia, meu querido, deveria vir de graça. Por outro lado, penso que mexer no foco segurando a câmera assim deve ser muito ruim ou mesmo impossível. Nesse quesito, portanto, ela é ainda PIOR do que uma DSLR, pois esta tem o grip. A BMCC prescinde, sem dúvida, de um shoulder ou algo do estilo para ser operada na mão com precisão. As próprias imagens dos vídeos-testes do John Brawley mostram bem isso.

Enfim… Essas desvantagens apontadas são defeitos sérios para muitos profissionais – inclusive eu mesmo. É possível que sejam corrigidas no(s) próximo(s) modelo dessa câmera, SE ela for bem aceita e não morrer. Mais uma vez, são decisões típicas de um fabricante ganancioso, mas que ao invés de viabilizar um equipamento completo de plano, resolveu guardar as modificações como “trunfos” para um próximo modelo e assim forçar os usuários a renovar o equipamento.

Com tudo isso, acredito que o saldo seja positivo, ainda que indiretamente. No mínimo, o lançamento dessa câmera vai forçar os fabricantes de DSLR a correr atrás das deficiências da nova geração ou lançarem modelos equivalentes de filmadoras a custo acessível. Mas esta é uma câmera que pode estar chegando para se tornar uma importante referência na cinematografia digital. Tanto para produções de ficção de baixo orçamento, como para documentários, séries, curtas e até mesmo um jornalismo muito bem feito, ela poderá ser de grande utilidade, mas muito do sucesso dela dependerá das melhorias nos próximos modelos.

Por enquanto, as suas limitações são muito prejudiciais para que ela seja primeira opção de compra, considerando-se as suas grandes concorrentes de peso, mesmo com todos os fantásticos atributos que citei no início. Mas vamos aguardar ansiosamente pelo lançamento em julho para comprovar tudo o que está sendo dito por aí, inclusive o que eu mesmo escrevi. A princípio, são tudo conjecturas baseadas apenas nas informações. Com a câmera na mão tudo pode mudar.

Aqui vão alguns links.

Do fabricante: http://www.blackmagic-design.com/products/blackmagiccinemacamera/

Um comparativo dos tamanhos de sensores: http://library.creativecow.net/articles/solorio_marco/NAB_2012-BMD-Cinema-Camera/assets/sensor_sizes.jpg

Da BH Photo: http://www.bhphotovideo.com/c/product/855879-REG/Blackmagic_Design_BMD_CINECAM26KEF_Cinema_Camera.html

O Blog do John Brawley: http://johnbrawley.wordpress.com/

Abraços.

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Um Video de Família

março 13, 2012

Estou postando com alegria o vídeo que criei como presente de 03 anos para meu filho. É um vídeo “de família”, mas não por isso foi fácil de fazer. Aliás, foi um trabalho muito extenso, que contarei em detalhes mais abaixo.

Primeiramente, aqui vai o vídeo. Melhor se visto com a opção HD ativada (canto direito inferior, da janela do vídeo) e em tela cheia.

Os 3 Anos de Paulo Sérgio from Alexandre Paoli on Vimeo.

Agora vou contar um pouco de como fiz esse trabalho.

Há mais ou menos 06 meses atrás, comecei a pensar que deveria criar algo para o aniversário de 03 anos do pequeno. Como eu já havia criado um vídeo anteriormente para ele, de 01 ano , quis repetir a dose, porém com uma linguagem diferente, mais bem elaborado e saindo um pouco do padrão “retrospectiva”, mas ao mesmo tempo mantendo um pouco, já que toda história deve ter um começo.

O começo todo foi a música. Eu cantava pra ele uma canção do western americano “Ghost Riders in The Sky”, que ele adorava. Um dia eu resolvi criar uma letra em português e passei a tocar essa versão. Feito isso decidi gravar a música, o que fiz inteiramente em meu homestudio, no Logic Pro. Porém, com a correria do dia a dia, esse processo de gravação da música foi BASTANTE demorado, o que terminou exatamente no dia 06 de março, com a mixagem, que foi um processo brilhante, feito pelo meu amigo Luiz Ribeiro no seu estúdio. Mas eu já tinha pelo menos a base do que seria a música e então iniciei o processo de edição do vídeo – em  Adobe Premiere CS5.

Foram duas edições. A primeira foi a seleção do material: fotografias e vídeos feitos em 3 anos: muita coisa e em muitos formatos diferentes, desde fotos e vídeos feitos em câmera compacta e telefone celular, Mini DV, filme de Super8, GoPro, até imagens produzidas com câmeras DSLR antes e DEPOIS de o vídeo estar quase pronto, para integrar o material. Em especial as cenas do projetor e a da fita K7.

Uma boa parte de filmagem foi produzida já com a edição do vídeo em mente – e isso faz muita diferença para o contexto geral, principalmente quando se trabalha sozinho. Há uma sequência feita no sítio de meu pai, onde a cada instante no qual eu apertava o REC, escutava a música ma minha cabeça e já sabia como teria que cortar. Foi um feriado que aproveitei para fotografar bastante e quando possível eu captava as imagens em vídeo do meu filho (quando “der” também significa “quando ele deixa”).  Essa sequência foi a base que amarrou o vídeo na segunda parte (a da música que gravei). Nesse momento eu já tinha escrito o roteiro do que seria o vídeo, o que também me ajudou a ter idéias para a captação.

Não vou entrar a fundo em como foi o processo de edição, o texto ficaria muito extenso. Mas em resumo, não fiz nada em ordem cronológica. Primeiramente fiz os cortes de todos os trechos que eu gostaria de colocar e depois fui montando no projeto. A ordem foi traçada depois desse processo, de acordo com o roteiro.

Terminada a edição, ainda faltava a música, que já estava toda gravada, mas ainda não estava pronta (faltava a voz definitiva e a mixagem). Mas foi só substituir a base original, interminada, pela mixagem final, que aliás, segue aqui na íntegra:

Todo esse processo, desde a seleção de imagens e cenas em vídeo, roteiro, edição, gravação da música, mixagem e pós produção, deve ter demorado cerca de 60 a 80 horas.

Mas tudo isso para um vídeo de família??? Sim. Principalmente.

Certo dia, há uns 7 ou 8 ANOS atrás, li um post em uma lista de fotografia que me intrigou. Um fotógrafo enviou algumas de suas imagens para avaliação e depois de vários tapinhas nas costas, uma pessoa surgiu e disse “Um dia seus pais terão ido embora e você só terá fotos de paisagens bonitinhas e cartões postais.” O cara foi MUITO criticado na lista e armou-se uma discussão enorme.

OK, foi um certo exagero, mas essa resposta mais me intrigou  do que chocou e me fez refletir muito sobre a minha forma de fotografar (tanto que lembro disso até hoje). Passei a valorizar muito mais as imagens com pessoas do que paisagens, objetos, etc… – fotojornalistas e fotógrafos de rua sabem bem do que estou falando.: aquele ilustre desconhecido é um assunto fabuloso, muito mais do que a árvore cheia de flores ao lado dele. Ora, se hoje o assunto “pessoas” é muito mais interessante para mim do que “balões coloridos no céu”, imagine-se a importância que não dou para o assunto “meu filho”. É isso. Imensurável.

Ainda que eu não tenha tempo ou coragem de fazer outro vídeo igual a este, daqui muitos anos meu filho vai assistí-lo e se emocionar, com muita saudades dessa fase da vida dele e poderá compartilhá-la com muitas pessoas, que ficarão igualmente felizes de poderem vê-lo como eu vejo hoje… É, valeu a pena.

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