Um Video de Família

Estou postando com alegria o vídeo que criei como presente de 03 anos para meu filho. É um vídeo “de família”, mas não por isso foi fácil de fazer. Aliás, foi um trabalho muito extenso, que contarei em detalhes mais abaixo.

Primeiramente, aqui vai o vídeo. Melhor se visto com a opção HD ativada (canto direito inferior, da janela do vídeo) e em tela cheia.

Os 3 Anos de Paulo Sérgio from Alexandre Paoli on Vimeo.

Agora vou contar um pouco de como fiz esse trabalho.

Há mais ou menos 06 meses atrás, comecei a pensar que deveria criar algo para o aniversário de 03 anos do pequeno. Como eu já havia criado um vídeo anteriormente para ele, de 01 ano , quis repetir a dose, porém com uma linguagem diferente, mais bem elaborado e saindo um pouco do padrão “retrospectiva”, mas ao mesmo tempo mantendo um pouco, já que toda história deve ter um começo.

O começo todo foi a música. Eu cantava pra ele uma canção do western americano “Ghost Riders in The Sky”, que ele adorava. Um dia eu resolvi criar uma letra em português e passei a tocar essa versão. Feito isso decidi gravar a música, o que fiz inteiramente em meu homestudio, no Logic Pro. Porém, com a correria do dia a dia, esse processo de gravação da música foi BASTANTE demorado, o que terminou exatamente no dia 06 de março, com a mixagem, que foi um processo brilhante, feito pelo meu amigo Luiz Ribeiro no seu estúdio. Mas eu já tinha pelo menos a base do que seria a música e então iniciei o processo de edição do vídeo – em  Adobe Premiere CS5.

Foram duas edições. A primeira foi a seleção do material: fotografias e vídeos feitos em 3 anos: muita coisa e em muitos formatos diferentes, desde fotos e vídeos feitos em câmera compacta e telefone celular, Mini DV, filme de Super8, GoPro, até imagens produzidas com câmeras DSLR antes e DEPOIS de o vídeo estar quase pronto, para integrar o material. Em especial as cenas do projetor e a da fita K7.

Uma boa parte de filmagem foi produzida já com a edição do vídeo em mente – e isso faz muita diferença para o contexto geral, principalmente quando se trabalha sozinho. Há uma sequência feita no sítio de meu pai, onde a cada instante no qual eu apertava o REC, escutava a música ma minha cabeça e já sabia como teria que cortar. Foi um feriado que aproveitei para fotografar bastante e quando possível eu captava as imagens em vídeo do meu filho (quando “der” também significa “quando ele deixa”).  Essa sequência foi a base que amarrou o vídeo na segunda parte (a da música que gravei). Nesse momento eu já tinha escrito o roteiro do que seria o vídeo, o que também me ajudou a ter idéias para a captação.

Não vou entrar a fundo em como foi o processo de edição, o texto ficaria muito extenso. Mas em resumo, não fiz nada em ordem cronológica. Primeiramente fiz os cortes de todos os trechos que eu gostaria de colocar e depois fui montando no projeto. A ordem foi traçada depois desse processo, de acordo com o roteiro.

Terminada a edição, ainda faltava a música, que já estava toda gravada, mas ainda não estava pronta (faltava a voz definitiva e a mixagem). Mas foi só substituir a base original, interminada, pela mixagem final, que aliás, segue aqui na íntegra:

Todo esse processo, desde a seleção de imagens e cenas em vídeo, roteiro, edição, gravação da música, mixagem e pós produção, deve ter demorado cerca de 60 a 80 horas.

Mas tudo isso para um vídeo de família??? Sim. Principalmente.

Certo dia, há uns 7 ou 8 ANOS atrás, li um post em uma lista de fotografia que me intrigou. Um fotógrafo enviou algumas de suas imagens para avaliação e depois de vários tapinhas nas costas, uma pessoa surgiu e disse “Um dia seus pais terão ido embora e você só terá fotos de paisagens bonitinhas e cartões postais.” O cara foi MUITO criticado na lista e armou-se uma discussão enorme.

OK, foi um certo exagero, mas essa resposta mais me intrigou  do que chocou e me fez refletir muito sobre a minha forma de fotografar (tanto que lembro disso até hoje). Passei a valorizar muito mais as imagens com pessoas do que paisagens, objetos, etc… – fotojornalistas e fotógrafos de rua sabem bem do que estou falando.: aquele ilustre desconhecido é um assunto fabuloso, muito mais do que a árvore cheia de flores ao lado dele. Ora, se hoje o assunto “pessoas” é muito mais interessante para mim do que “balões coloridos no céu”, imagine-se a importância que não dou para o assunto “meu filho”. É isso. Imensurável.

Ainda que eu não tenha tempo ou coragem de fazer outro vídeo igual a este, daqui muitos anos meu filho vai assistí-lo e se emocionar, com muita saudades dessa fase da vida dele e poderá compartilhá-la com muitas pessoas, que ficarão igualmente felizes de poderem vê-lo como eu vejo hoje… É, valeu a pena.

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Uma resposta para Um Video de Família

  1. alepaoli disse:

    Me perguntaram sobre as músicas que usei no video. Aqui vai, em ordem de execução: 1. Transylvanian Lullaby – Trilha sonora do filme “Young Frankenstein”; 2. Os Bombeiros do Recife – Andréa Ernest Dias e Oscar Bolão; 3. Ipiaiê: Alexandre Paoli (versão de Ghost Riders in The Sky); 4. Linus & Lucy – Trilha sonora de Peanuts, executada por David Benoit; 5. Meu Amigo Pedro – Raul Seixas;

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