O Rock Nacional e o Último dos Sobreviventes

O Rock brasileiro morreu?

Há muitos anos atrás, era uma delícia o fato de podermos ouvir bandas novas com propostas diferentes, sonoridades diferentes, vibrações diferentes e sentirmos a autenticidade na palavra e voz de quem cantava. Para citar os mais famosos: Titãs, Nenhum de Nós, Legião, Ultraje, Inocentes, Ratos, Zero, Garotos Podres… Mais recentemente Skank (no seu início), Chico Science e Nação Zumbi. Cada qual tinha sua marca.

O que veio depois? Muita gente vai discordar e não gostar do que vou dizer, mas veio uma centena de bandas com a mesma sonoridade, mesma proposta, mesmas letras, mesma atitude (sem atitude)… Eu até gosto de algumas bandas novas, mas não consigo sentir a mesma alegria e surpresa (boa) ao ouvir um disco novo, como sentia antes. Acho que a última vez que senti isso foi ao escutar Afrociberdelia do já mencionado Chico Science.

O Brasil é um país extremamente fértil, quando se trata de música instrumental e compositores da mpb – citando os meus prediletos: Hermeto, Banda Mantiqueira, Djavan, Milton, Toninho Horta, André Mehmari, Estevão Carvalho (o Tenor que virou Barítono), Roberto Sion, Vinicius Dorin, Edu Gomes (master guitar player)… Villa Lobos, Toquinho, Gil (antes do ministério), Dorival Caymi… Zé Ramalho… Digo, há uma infinidade de prediletos e eu demoraria muitas horas para citar a todos.

E o que o país produz de maravilhoso nesta linha, parou de produzir há muitos anos no rock e pop rock. Mesmo aquelas bandas que se destacaram, muitas as quais mencionei, sucumbiram à ganância das grandes gravadoras e passaram a produzir músicas de qualidade duvidosa, estritamente comerciais (ainda que gravadas em estúdios Top como o Abbey Road). Pouquíssimos foram os sobreviventes do massacre à musicalidade dos compositores do rock brasileiro. Graças a Deus, sobreviveu o KARNAK, por mérito próprio e com quase nenhum amparo da mídia.

André Abujamra e uma cambada de músicos extremamentes competentes pilotam a banda, que há tantos anos toca músicas para amantes do velho e bom rock nacional, na sua melhor forma. Bem… O André fez aquela cirurgia de redução do estômago, então digamos que a forma mudou um pouco.

Eu apenas consegui ir a 4 ou 5 shows dessa banda. É uma das poucas que fazem ao vivo um som MELHOR do que em estúdio. A prova é a vibração do público pulando, rindo, batendo palmas (sob o comando do band leader), cantando todas as músicas de cabo a rabo, com sorriso de lado a lado e uma fidelidade de fazer inveja a qualquer um que já esteve em um palco.

O Karnak tinha acabado, mesmo assim, todo ano se reunia uma única vez para um show, geralmente em algum Sesc, sempre lotados (e eu sempre estava lá). Em 2006, voltaram de vez, para a alegria de todos os adoradores da banda, dentre os quais, eu me coloco.

Esta não é uma “banda de rock” em sentido estrito. Sob esse rótulo eu teria de compará-los aos Mutantes, por exemplo, o que não é uma comparação justa. Os tempos são outros e a proposta musical é totalmente diferente. Mas me perguntem qual eu prefiro escutar atualmente… Sim, o Karnak, que é claro, provavelmente se deixou influenciar muito por estes e outros dinossauros.

Eu espero (e já disse muito isso a vários dos integrantes) que eu tenha a oportunidade de tocar qualquer dia com eles. Há algum tempo atrás, em 1999, quase deu certo de fecharmos um show no mesmo dia, com minha ex-banda e o Karnak no Centro Cultural São Paulo. Nem precisa. Uma participação, escondido, em uma só musiquinha que seja já me faria muito feliz.

Enfim… O Rock nacional está quaaase morto, mas enquanto essa banda existir (e outras poucas do underground), ainda há salvação. Depois… não sei não. Pobres das nossas crianças…

Abaixo, a regravação da música “O Mundo” (o clip do vídeo é um slideshow não oficial com fotos “catadas”), interpretada por ninguém menos do que Ney Matogrosso, que, falando em rock, “só” foi o vocalista dos Secos e Molhados, considerado por muitos como a melhor de todos os tempos.

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4 respostas para O Rock Nacional e o Último dos Sobreviventes

  1. Me desculpe a sinceridade, mas acho que esse foi o texto mais mal-informado, sobre o rock brasileiro atual, que li recentemente. O rock brasileiro nunca esteve tão vivo, esteticamente múltiplo e freneticamente ativo. E o espernear nostálgico das viúvas dos anos 80 é um dos seus menores efeitos.

    • alepaoli disse:

      Hígor… Não se trata de nostalgia. Me aponte bandas nacionais realmente boas, atuais e que estão em voga na mídia (do underground eu conheço várias) e eu terei um enorme prazer de me retratar se eu estiver errado. Mas tenho garimpado há anos e não encontro nada de realmente interessante. Caso contrário serei sim o viúvo dos anos 50, 60, 70, 80 e muitas boas coisas dos 90. Se não tenho nada de novo melhor pra ouvir, fico com o velho.

  2. jr. disse:

    Acredito que o “rock” ao que você se referiu é basicamente o considerado mainstream, e esse já é defunto há anos. IMHO, melhor esquecer essa (grande) mídia se for procurar o que existe de realmente bom hoje, e tem sim muita coisa boa por aqui.

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