Um amigo me fez uma pergunta sobre filmes 120mm e scanners. Decidi fazer desse assunto o primeiro post do ano, para aproveitar a informação.
A questão era onde encontrar filmes 120mm para usar em uma Lomo e uma indicação de scanner com bom custo-benefício para negativos.
Primeiramente, um breve comentário. Sim, escrevo alguns textos longos, outros técnicos, que para alguns podem ser chatos e intermináveis. Mas, a informação está aí, permanentemente, para quem precisar, tiver paciência e quiser ler.
Algumas das informações deste e de outros posts vão ser ultrapassadas em não muito tempo, então é bom aproveitar. Acredite, a preguiça que temos na hora de ler e estudar, será sempre igual na hora de fotografar. Fotógrafo preguiçoso é fotógrafo ruim. Ou um gênio, em 1% dos casos.
Comecemos!
Parte 1. Filmes 120mm.
Filmes de 120mm estão ficando cada vez mais raros de se encontrar. Vende-se muito pouco, pois os profissionais que usam (ou usavam) médio e grande formato, praticamente não mais trabalham com filmes, e, com isso, seu uso ficou restrito a saudosistas eventuais, “amadores” e quem esteja buscando um resultado muito específico.
No caso desse meu amigo, era a Lomo. Poderia ser um trabalho fine-art, ou mesmo algum cliente que exija isso do fotógrafo (muito difícil atualmente). Mas o fato é que pouquíssimos desses filmes estão sendo vendidos, logo, a escassez no mercado.
Falando de onde conheço, em São Paulo ainda é possível encontrá-los em algumas poucas lojas e de vez em quando. É loteria mesmo, já que nenhuma delas os mantém em estoque. Eu indicaria: Chromur www.chromur.com.br e Consigo www.consigo.com.br, ambas localizadas na famosa Conselheiro Crispiniano – Anhangabaú.
Alguns modelos de filmes são mais difíceis de serem encontrados, principalmente cromos e pb, outros estão tendo sua produção encerrada pelos fabricantes. Isso vale também para os 35mm - o caso do lendário Kodachrome, por exemplo.
O Mercado Livre, costuma ser um bom local para encontrar coisas difíceis, não custa tentar. Se tudo der errado, só resta importar. Na minha opinião, as melhores opções são a BH Photo www.bhphoto.com e a Adorama www.adorama.com. A Ritz Camera www.ritzcamera.com, que também é uma boa loja, infelizmente não envia compras para o Brasil. Por fim, o ebay, que deve ser usado com cautela. Boa sorte.
Parte 2. Scanners.
Há um bom número de scanners no mercado, de 100 a 20.000 reais. Qual comprar? Ou… vale mesmo a pena comprar? Veremos.
Teoricamente, o preço que se paga em tecnologia é diretamente proporcional ao resultado que o produto pode lhe proporcionar. Em outras palavras, quanto melhor, mais caro. Mas nem sempre o melhor é adequado pra determinada pessoa. Logo, o caro, que no caso de scanners é muito caro, justificaria apenas para quem usa com muita freqüência e necessita da mais alta qualidade, ou seja, laboratórios, gráficas, bureaux de impressão, etc.
Vou falar um pouco sobre os equipamentos que conheço. Os scanners nikon são muito bons, no geral, cada qual com a sua característica e limitações próprias: o tempo de escaneamento, bitola, resolução, tamanho, software, etc.
O super coolscan 9000 ED faz scans de 35 e 120mm, mas é o mais caro da marca. Encontrei alguns no ebay por cerca de 3.500 dólares. O 5000 ED e o coolscan V ED são as opções para quem só precisa escanear 35mm. Todos excelentes.
Os scanners da Pacific Image, têm tido uma aceitação muito boa no mercado. Preço bom, com muitos usuários satisfeitos, mas pessoalmente nunca usei, então é só uma referência para pesquisa.
Mas posso falar bem de dois modelos profissionais e relativamente simples da Epson: v-700 e v-750 PERFECTION. Possuem um ótimo custo-benefício, (cerca de 500 e 700 dólares nos EUA), respectivamente. O resultado do scan em 4800dpi é excelente, comparável até ao já citado Nikon 9000 ED. As diferenças, são nuances que o olho destreinado não percebe: transições, distorções, sharpness, cor, etc, mas muito pouca coisa relevante.
Alguns trabalhos exigem essa perfeição, outros não. O profissional experiente saberá se é preciso deixar o seu brinquedo de lado e apelar para os mais caros, ou não (clientes, editores, art buyers experientes, também).
Os scanners mais baratos (na faixa de 100/200 dólares) são bons apenas para ampliações em papel e não devem ser usados em trabalhos profissionais que exijam controle de qualidade. Eu ainda tenho um velhinho HP Scanjet 4670 vertical (que hoje custaria algo em torno de 400 reais). Hoje uso para documentos, mas me quebrou muito o galho com fotos, com resultados aceitáveis, para meu uso pessoal. Ele tem um adaptador para negativos, que usei uma vez só, para nunca mais, pois o resultado foi péssimo em todos os testes.
Agora a pergunta. Vale a pena comprar um scanner?
Ponto a favor. Os laboratórios que trabalham com filmes no Brasil estão ficando cada vez mais despreparados e decadentes. Eu honestamente não tenho mais boas referências para dar, mesmo aqui em São Paulo. Nas últimas vezes que precisei, tive um resultado pior do que o outro em lugares diferentes (que costumavam ser os melhores).
Ponto contra. Existem locais especializados em escaneamento, fora do país, que fazem o serviço com equipamento de ponta, equipe treinada e preço muito bom. É o caso do www.scancafe.com e do www.chromedigital.com (este último um laboratório completo). Não cheguei a experimentar nenhum dos dois, mas tive muitas referências de amigos que garantiram resultados muito satisfatórios, principalmente do scan cafe.
Ponto a favor. Custo. É muito mais barato comprar um bom scanner, quando se tem muita coisa, do que pagar pelo serviço. E o equipamento ainda pode ser vendido, depois de terminado todo o trabalho.
Por fim, ponto contra. Tempo e habilidade. Aqui, vou dar uma atenção especial e eu colocaria um “peso 2” na balança.
Para se ter um scanner, é preciso aprender a escanear, assim como se deve aprender fotografar e a mexer em qualquer equipamento, para extrair o melhor daquilo.
Profissionais treinados fazem isso com muito mais propriedade. Precisa-se entender de cor, ter um bom (e caro) monitor calibrado, espectrofotômetro, saber ajustar corretamente os controles – níveis de preto, brilho, contraste, ICE, etc – escolher o formato correto na hora de salvar a imagem (dependendo de cada uso), a resolução necessária.
Escanear, na minha opinião, é um trabalho repetitivo, chato e entediante. Você *não vai* (não! não vai mesmo!) querer fazer um workflow errado para 500, 1000, 5000 fotos e depois ter que fazer tudo de novo mais tarde, ou terminar tendo que pagar pelo serviço.
Alguns scanners não permitem entrada do negativo em tira. É preciso cortar os frames, emoldurar e escanear uma a uma. Molduras de filme também estão cada vez mais raras de achar, além de caras.
Você tem muita coisa e tempo é um problema? A não ser que você vá fazer disso uma terapia, um momento de meditação, ou que ache um hobby muito divertido, esqueça o scanner! Faz parte do pacote: limpar os filmes (com produtos altamente tóxicos), emoldurar (se for o caso), visualizar a imagem, ajustar todos os controles para cada imagem, escanear (alguns scanners demoram 5 minutos ou mais por imagem, na resolução máxima), tratar no photoshop (por causa de riscos e pontos que SEMPRE irão aparecer e o sofware ICE não é capaz de remover tudo) e ainda controlar a fúria do seu cônjuge durante alguns meses, pelos quilômetros de filme espalhados na mesa de jantar.
Não tenho um scanner bom atualmente. Já tive um e acabei vendendo para comprar outro equipamento.
No balanço geral e razoável eu diria que não vale a pena comprar. Se me perguntarem se eu compraria, a resposta é SIM. Mas o trabalho grosso de escanear todo o meu acervo de filmes (que até hoje não consegui fazer), eu deixo para quem só faz isso e não tem outras 2.000 atividades importantes. Para mim ficaria o prazer de poder escolher as melhores imagens e fazer, só essas, com todo o capricho do mundo.









